Por que os erros se repetem
Depois de anos a ensinar inglês em Moçambique, reparamos num padrão: os erros não são aleatórios. Falantes de português cometem, na sua maioria, os mesmos sete deslizes, porque a estrutura do português influencia directamente a forma como pensamos em inglês.
Conhecer estes padrões não é apenas uma curiosidade linguística. É uma forma de acelerar o seu progresso, porque permite corrigir a causa, não só o sintoma.
1. A ordem dos adjectivos
Em português, dizemos "uma casa grande branca". Em inglês, a ordem dos adjectivos segue uma sequência fixa (opinião, tamanho, idade, forma, cor, origem, material). O correcto é *"a big white house"*, nunca *"a white big house"*.
2. Falsos cognatos
São os traidores clássicos: *"actually"* não significa "actualmente" (significa "na verdade"), *"pretend"* não significa "pretender" (significa "fingir"), e *"realize"* raramente significa "realizar" no sentido de concretizar (significa "perceber"). Estes erros passam despercebidos durante anos porque soam familiares.
3. Uso incorrecto dos tempos verbais
O português tem menos distinção entre passado simples e presente perfeito do que o inglês. Dizer *"I have seen him yesterday"* é um erro comum, o correcto é *"I saw him yesterday"*, porque "yesterday" exige o passado simples, não o presente perfeito.
4. Preposições que não traduzem directamente
"Depender de" torna-se *"depend on"*, não *"depend of"*. "Interessado em" torna-se *"interested in"*. As preposições em inglês raramente correspondem literalmente às do português, e por isso exigem memorização caso a caso, não tradução directa.
5. Pronúncia do "th"
O som de "th" (como em *think* ou *this*) não existe em português, e por isso é substituído instintivamente por "f", "t" ou "d". A prática consciente deste som isoladamente, antes de o inserir em frases, acelera bastante a correcção.
6. Confundir "make" e "do"
Em português, "fazer" cobre ambos os sentidos. Em inglês, *"make"* está ligado a criar ou produzir (*make a decision, make a mistake*), enquanto *"do"* está ligado a realizar tarefas (*do homework, do business*). Não há uma regra simples, apenas exposição repetida a colocações correctas.
7. Traduzir expressões idiomáticas literalmente
"Está a chover a potes" não se torna *"it's raining pots"*, mas sim *"it's raining cats and dogs"*. Expressões idiomáticas nunca traduzem palavra por palavra, e tentar fazê-lo cria frases que um nativo simplesmente não reconhece.
O que fazer com esta lista
O objectivo não é decorar estas sete regras isoladamente, mas sim prestar atenção a elas na prática, ao ouvir, ler e falar. Um bom professor ajuda a identificar qual destes padrões está mais presente no seu inglês pessoal, e a corrigi-lo de forma dirigida, em vez de tentar corrigir tudo ao mesmo tempo.
